Os prós e os contras da retícula estocástica

 

Desde o início da utilização dos computadores, faz-se referência à estrutura da retícula eletrônica convencional como sendo a reticulagem de Modulação de Amplitude (AM). A palavra amplitude é um acrônimo inglês que se refere ao tamanho dos pontos. Para simular a imagem no original, a reticulagem AM separa a imagem eletronicamente em pontos de diferentes tamanhos, cuja ordenação é muito precisa.

Desde o início da utilização dos computadores, faz-se referência à estrutura da retícula eletrônica convencional como sendo a reticulagem de Modulação de Amplitude (AM). A palavra amplitude é um acrônimo inglês que se refere ao tamanho dos pontos. Para simular a imagem no original, a reticulagem AM separa a imagem eletronicamente em pontos de diferentes tamanhos, cuja ordenação é muito precisa. Já a reticulagem estocástica, também conhecida como reticulagem de Freqüência Modulada (FM), conserva os pontos em tamanhos uniformes variando aleatoriamente quanto à sua posição e freqüência. (Existem variações derivadas a esse método, podendo ser pontos, linhas, traços etc.).
   Atualmente, a maioria das imagens reticuladas é realizada em filmadoras com geração eletrônica de ponto, as imagesetters. O dispositivo para esse processo se chama Processadora de Imagens Reticuladas, mais conhecida como (RIP), ou Raster Image Processor. Pontos gerados nesta processadora geralmente são para reticular imagens escaneadas e em seguida digitalizadas. Os elementos de ilustração (pixel) determinam os valores do original e o dos tamanhos dos pontos. Para produzir pontos digitais de tamanhos específicos, as filmadoras estão programadas para produzir grupos de pontos laser dentro de uma área específica de meios tons.
   Pontos de meios tons digitais são construídos dentro de um mapa quadriculado que contém um determinado número de pontos. Unidos, os pontos cobrem cada quadrícula, desde 0% ao 100%. O nível de grises na imagem de meios tons depende do tamanho da quadrícula matriz. A resolução do número de elementos que se podem contar dentro de uma unidade de medida específica determina o número de pontos ou lineatura da imagem reticulada. No que diz respeito às possibilidades de reprodução no papel, a reticulagem estocástica não é muito diferente daquela com modulação de amplitude. A diferença está na construção de cada ponto dentro da sua quadrícula. Todos os pontos possuem o mesmo tamanho, porém variam sua freqüência e posição e por esse fato são conhecidos como pontos de freqüência modulada (FM).

Os desafios de hoje

   O fator limitador na impressão é a quantidade de tinta que se deposita no suporte. A gama de reprodução das cores depende também da cor do suporte onde não existe impressão de imagens. Tudo isso deve ser conhecido e programado na etapa da pré-impressão. 
   Hoje em dia, a pré-impressão está sendo efetuada principalmente com computadores. Os processos de reprodução foram se computarizando e muitas idéias que antes eram difíceis de se realizar, hoje partem do software e hardware modernos. Um grande passo no controle das imagens impressas foi a introdução da versão do computador na remoção do componente gris GCR, permitindo uma sensível extensão da gama de cores reproduzíveis. 
   Remover os componentes não desejados da cor terciária (componente gris) na mistura de cores primárias e asubstituição de detalhes e partes escuras, com a tinta preta, aumentam o controle e a qualidade da impressão de quadricromias. Uma outra inovação, ou melhor, dizendo, o redescobrimento do “processo e sabedoria antiga” foi a mencionada reticulagem estocástica.
   Durante os primeiros anos da década de 90 as empresas Hell e Agfa sussurravam aos ouvidos dos impressores o despertar pelo interesse na aquisição de seus processos Diamond e Cristal respectivamente e o lançamento dos sistemas de reticulagem estocástica foi efetuado durante a feira Ipex. Muitos dos institutos de pesquisa de artes gráficas tinham modelos desenvolvidos e prontos, com versões computadorizadas de reticulagem sem retícula, porém para propagar a idéia, era necessário que houvesse também o interesse comercial e financeiro dos fabricantes de equipamentos. Pouco depois da Ipex, os outros fabricantes de imagesetters começaram a incorporar suas próprias versões estocásticas nos RIP’s em seus sistemas. 
   Optaram pela mudança a Scitex, Barco, Dai Nippon e alguns outros mais. Com isso, a expectativa era que todas as empresas gráficas se converteriam em pouco tempo à reticulagem estocástica, porém isso não ocorreu.

Quais são os desafios?

   Quando o sistema de reticulagem estocástica foi apresentado pela primeira vez, a industria gráfica não estava preparada para recebê-la e ainda não está. Na teoria e na prática, é um conceito quase aperfeiçoado para as imagesetters e os computer–to-plate. O software produz uma gama ampla de valores de tonalidades sem maiores problemas e sem ter a necessidade de aumentar a memória do computador. Um importante impedimento está nos passos que se seguem após filmar a imagem. Muitos dos problemas tem semelhança aos intentos históricos de recriar a impressão sem retícula. 
   A relação de tais obstáculos é extensa, sendo que os mais relevantes serão abordados a seguir. 
   Contatos de filmes, cópia de chapas, o vácuo da prensa de contato, a blanqueta, variáveis da máquina impressora, ganho de ponto, contraste e reologia da tinta, todas essas variáveis podem contribuir de uma forma ou de outra para o êxito ou ao fracasso da impressão com retícula estocástica. O mais difícil é a melhoria nos parâmetros dos controles que se devem utilizar ao copiar a chapa ou filme nos pontos de 20µ - 31µ (micra conforme o sistema). O ponto mínimo convencional de 2% de retícula com 150 linhas de acordo com a padronização mundial, mede 27µ e é difícil de copiar. Como na retícula estocástica todos os pontos têm medidas iguais, esse fator aumenta os problemas milhares de vezes dentro de uma polegada quadrada. Utilizando o ponto convencional pode-se imprimir aceitando a perda dessas tonalidades que, apesar de não ser bom, não afeta muito a qualidade total da maioria dos trabalhos. 
   Apesar de ser um processo difícil, há melhorias visíveis nos resultados dos impressos quando da utilização de retícula estocástica. A impressão fora de registro não é tão notada em trabalhos feitos com retícula estocástica, (porém, não se deve imprimir fora de registro!); traços finos e detalhes em materiais de tecido e madeira podem ser reproduzidos sem causar efeitos desagradáveis para os olhos. É definitivamente superior em trabalhos com originais de alta resolução que requerem o mesmo detalhe na reprodução (supondo que o processo de impressão esteja controlado). Além disso, é possível aumentar a gama de cores, porque a tecnologia estocástica permite reproduzir mais tonalidades entre a densidade mínima e a máxima sem causar efeitos de moiré como na reticulagem convencional, que se segue estritamente aos ângulos da retícula. Isso é importante na reprodução das cores carne e pastel.
   É muito provável que um impressor ao utilizar computer-to-print use a reticulagem estocástica, reproduzido com GCR, UCA, UCR. É possível que na impressão waterless, ao imprimir numa impressora controlada adequadamente, a trama estocástica resulte em uma qualidade superior à convencional. Mas, por enquanto, desenvolver ou não esse processo ainda está atrelado ao quanto a empresa gráfica está disposta a investir e ao quanto os clientes estão dispostos a pagar por trabalhos comerciais.

Vale a pena?

   Trabalhos de natureza comercial de alta qualidade podem ser produzidos com menos embaraço num sistema de reticulagem com seleção eletrônica convencional. A reticulagem estocástica é somente uma das opções para criar o milagre da tinta sobre papel.

Mike Burgstein, Sun Chemical